sexta-feira, 3 de junho de 2011

E daí se eu quiser me prostituir ? E daí se eu quiser me drogar ? E daí se eu quiser me suicidar ? Que diferença faria pro resto do mundo ? Se ninguém to pouco se lixando pra mim. É incrível como seu mundo pode desabar de uma noite para outra, e com um simples suspiro sua vida virar do avesso. Quem quer saber dos meus problemas ? Quem tá ligando pro meu choro ? Quem tá se importando se eu to precisando de companhia ou de conselho ? Quem tá se importando se eu vou mesmo pra escola ou se eu vou pra esquina rodar bolsinha ? Caramba, ninguém ta cagando e andando pra mim, pouco importa o que eu to sentindo, pouco importa os conselhos que eu tô precisando, que se dane os abraços que eu necessito nesse momento, afinal, e se eu me drogar e virar lésbica, quem é que vai se importar mesmo ? NINGUÉM !
Cansei .

Cansei de ser tratada como diferente, por não estar no padrão. Cansei de ser e agir como uma pessoa madura, que não sou. Cansei de mentir pra mim, pra ver se dói menos. Cansei de ver pessoas incomodadas com minha felicidade. Cansei de chorar e levantar indisposta com olhos inchados. Cansei da mesmice, da rotina. Cansei de ouvir mais e falar menos. Cansei de acalmar minha ira, para não ofender. Cansei de proteger,defender e não ser correspondida. Cansei de sorrir, ser gentil, para parecer mais educada. Cansei de tolerar o intolerável. Cansei de expressar meus sentimentos, apenas escrevendo. Cansei da rotina que atormenta, agora preciso de um tempo pra mim, longe de tudo e de todos, longe de tudo que possa me fazer mal .

Era uma cidadezinha do interior onde em sua praça, cartão postal do lugar, ficaram guardadas muitas histórias de amor,que lhe dava um toque de romantismo, com sua fonte luminosa que fazia bailar suas águas furta-cores e sonhar os jovens apaixonados. O clima contribuía para que ela fosse uma garota sonhadora. Nem bonita, nem feia,mas carismática,de olhar meigo e profundo. Seu grande sonho: ser bailarina e dançar,um dia,no Teatro Municipal .Dedicava grande parte de seu tempo ao ballet clássico. Aos sábados e domingos, ia à praça ou ao cinema, com as amigas. Às vezes, ao clube, onde sempre aconteciam bailes inesquecíveis. Certo dia, um burburinho veio mudar a rotina da cidade. Pelo menos a das meninas, que começaram a se enfeitar, a rir à toa e a cochichar segredinhos, umas às outras. Para o azar dos meninos, que carrancudos, não conseguiam disfarçar os ciúmes. Chegara, recentemente àquele lugar,um moço, mais precisamente um príncipe, que era o que parecia.Não levou muito tempo e muitas garotas foram flechadas pelo cupido. Para a menina bailarina, ele passou a ser um sonho inatingível, impossível. Não poderia jamais competir com as outras, lindas, bem vestidas e deliciosamente extrovertidas, realidade bem diferente da dela, pela simplicidade de se vestir, de vida e pela timidez nitidamente retratada em seu olhar.Sentia-se a própria gata borralheira. Porém, na dança, conseguia extravasar, livrar-se desse seu fardo. Nessa época preparava-se para dançar numa grande festa que estava para acontecer no clube da cidade.Havia feito muitos ensaios,sempre incansável, num pátio de sua escola,ao som de uma vitrola. Na véspera da festa, o último ensaio seria no clube e com piano.La Violetera era a música. Subiu ao palco e viu surgir o pianista. Nesse momento pensou que seu coração fosse sair pela boca. Era ele,o príncipe!Ainda mais lindo, trazendo o céu no olhar. Ambos se olharam. Ela procurou conter sua emoção e ao ouvir os primeiros acordes musicais, começou a dançar. E dançou, dançou como nunca.Parecia levitar, alcançar as estrelas,roubar-lhes seu brilho,perambular entre elas. Ao terminar ouviu aplausos. Ele a aplaudia em pé. Ela fugiu do palco e dele, pois lágrimas de emoção e encantamento rolaram por suas faces e não queria que ele as visse. Chegara o grande dia!Caracterizada como verdadeira vendedora de flores, ela carregava um cestinho dourado, repleto de buquês de violetas azuis e brancas. A cortina se abriu e as luzes dos refletores fizeram dela uma figura etérea,surreal. Ela olhou para seu amado, que lhe abriu um largo e branco sorriso,talvez de admiração,lançando-lhe seu olhar mais azul do que nunca.Era a glória! Durante a coreografia, ela desceu do palco e atirou para a platéia embevecida os buquês que carregava. Havia reservado o último para o pianista, seu príncipe. Ao voltar ao palco, colocou as violetas em cima do piano. E juntamente com elas, todo o seu amor, num gesto que simbolizava entrega total, a quem conseguisse perceber. Encontraram-se casualmente, algumas vezes, na praça e por várias vezes ele tentara falar-lhe...e ela fugia sempre.Seu desejo era o de declarar o seu imenso amor por ele, gritar ao mundo,deixar os borralhos,tornar-se Cinderela,mas sua timidez, o rubor de suas faces a impediam.Nunca havia namorado ninguém.Mas enamorara-se dele,perdidamente. Numa tarde de domingo o viu ao lado da fonte e da menina mais bonita da cidade. De mãos dadas,trocando beijos e abraços. O céu desabou...O chão se abriu.De repente se fez noite.E ela chorou copiosamente. Sentiu que o perdera, sem ao menos nunca tê-lo tido,sem ao menos um único beijo.Sua primeira desilusão amorosa.Sua primeira dor.Seu primeiro amor. Fim de um sonho de adolescente. Soubera, através de amigas, que ele havia ido embora do país,tocar piano no exterior. Continuou sua vida, dedicando-se ainda mais a sua arte:o ballet clássico.Porém,o vazio que seu primeiro amor (platônico) havia deixado jamais fora preenchido.





quinta-feira, 2 de junho de 2011


"Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranóias, mas nada de grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. Estou todo sensível, as coisas me comovem..."




                                                          (Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 1 de junho de 2011



"Te desejo uma fé enorme. Em qualquer coisa, não importa o quê. Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias. Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz. As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa. Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma. Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas. Que este ano seja doce. Repito sete vezes para dar sorte. Que seja bom o que vier, pra você."



(Caio F. Abreu).



Mesmo que doa agora, já nem faz mais tanta diferença, só queria estar contigo . Doer mais do que já doeu, não dói mais. E essa ferida ? que diferença faria ? Já sangrou tanto, que se sangrar agora, eu nem vou notar ..